terça-feira, 23 de Novembro de 2010

O Bico de Prata e o Bico de Chumbo

BICO DE PRATA

Com o nome científico Lonchura Cantans, o Bico de Prata ocupa uma parte do deserto do Sahara sul, espalhados em pequenas populações adaptadas às condições geográficas dos diferentes meios disponíveis, dando origem a quatro subespécies: - Cantans Cantans Euodice, que apresenta uma cor mais clara e um tom acinzentado, com as penas da asas mais escuras, de barriga de cor castanha suave e flancos de cor creme; - Cantans inornata Euodice, de cor escura, provavelmente em relação ao clima húmido em que habita; - Cantans meridionalis Euodice, de cor creme muito pálida com listas nos flancos mais pronunciadas do que nos outras subespécies e; Cantans orientalis Euodice, mais claro sobre as costas e de tom quase branco no peito, bem como a falta de faixas nas laterais.
Os criadores de apenas reconhecem as subespécies Cantans e Orientalis afirmando que estas duas subespécies representam os extremos de evolução da espécie, diferentes uns dos outros o suficiente. Na verdade, a subespécie
Cantans tem coloração mais clara e mais viva nos flancos exibindo um raiado tom castanho muito marcado.
A subespécie orientalis é mais escura e nos flancos, sem listas,
sendo o peito mais claro e o desenho do dorso mais pronunciado do que o Cantans.

BICO DE CHUMBO


Originário da Ásia, Golfo do Malabar, daí o seu nome científico malabarica com uma distribuição ampla não tem subespécies ou raças. 
Existe literatura que considera que a relação entre o Bico de Prata e o Bico de Chumbo é a mesma espécie e dada a considerável distância geográfica que os separa, pensa-se que o processo de separação genética é recente.
Teriam sido os marinheiros portugueses (que vieram para a Índia depois circunavegar o continente Africano) que introduziram o Bico de Chumbo em África no século XVI, cujas populações têm sido a origem do Bico de Prata, estabelecendo várias colónias diferentes da mesma espécie, cujos indivíduos se foram adaptando às novas condições ambientais.
Fora dessa hipótese, não se vê como poderia haver duas espécies geneticamente muito semelhantes em lugares tão diferentes, sem que isso signifique diferenças importantes.
À primeira vista, não existe diferença entre o Bico de Chumbo e o Prata em tamanho e postura. A diferença de cor entre eles é inexistente tendo ambos a cauda da mesma forma e com a mesma cor negra, bem como as penas.
Têm o mesmo corpo cinzento-castanho, que não mostra diferença entre as duas espécies, mesmo observado de perto. A não ser quando observamos as duas espécies, uma ao lado da outra, aparecem algumas diferenças no desenho da plumagem, como o Bico de Prata tem a zona da cloaca e subcaudal negra, o Bico de Chumbo tem branco, assim como as penas debaixo da cauda. A cabeça, face, pescoço, garganta, peito e ventre do Bico de Chumbo são uma cor branco acinzentado, menos castanho do que no Bico de Prata.
A diferença de cor pode ser justificada pela influência do clima sendo o comportamento do Bico de Chumbo mais tranquilo, tendo o Bico de Prata um cantar mais forte e repetitivo, daí o termo Cantans (canto).
As diferenças no canto não afectam o comportamento sexual, sendo que o acasalamento entre as duas espécies não causa quaisquer problemas e por causa da similaridade de seus mapas genéticos, todos aqueles que nasceram de um cruzamento entre Bico de Prata e Bico de Chumbo ou vice-versa, são perfeitamente fecundos.
Então, nós teríamos uma única espécie com cinco subespécies:
-Euodice cantans cantans
-Euodice cantans inornata
-Euodice cantans meridionales
-Euodice cantans orientalis
-Euodice cantans malabárica

A EVOLUÇÃO DA COR E DESENHO

Muitas vezes, a evolução da cor e desenho aumenta a cor branca da face, pescoço, garganta, peito e a zona subcaudal. Frequentemente a evolução da cor surge com a evolução, criando um design colorido e atraente que faz o pássaro mais marcante.

HÍBRIDOS
Os primeiros criadores que cruzaram as espécies Cantans e malabarica, descobriram que os híbridos, tiveram uma coloração intermediária entre as duas espécies, apresentando os híbridos a zona da subcauda rosa ou vermelho.
A cor castanha é mais carregada e as estrias transversais dos flancos são mais pronunciadas que no Bico de Chumbo mas menos que no Bico de Prata. A cor da cabeça também é intermédia, um castanho escuro como o Bico de Prata e com vestígios de cor do Bico de Chumbo, especialmente no rosto, queixo e pescoço. Ao comparar as penas da garupa é de notar que Bico de Prata é preto e no Bico de Chumbo são brancas em 2 / 3, com base preta e 1 / 3 branco da dos híbridos. Tudo isso mostra que os híbridos são uma nova forma intermédia entre duas espécies, desaparecendo em posteriores cruzamentos.
Resta agora explicar o rosa ou castanho avermelhado, como no caso que vemos no Mandarim Phaeu e Bengalim do Japão Castanho-vermelho Pastel .

MUTAÇÕES PELA DOMESTICAÇÃO.
A domesticação é a evolução por mutação e selecção sob a influência humana.
Várias mutações surgem no Bico de Chumbo e Bico de Prata e dada a fertilidade de seus híbridos, essas mutações passam de uma e outra espécie para o bem comum de ambos.

- Mutação ventre escuro.
 
Bico de Prata ventre escuro


 



Surgiu no Bico de Prata, constituído por um escurecimento das penas não pigmentadas do ventre assim como das asas e rabo. Além disso, o corpo tem um belo castanho, apenas estriado nos flancos. Observa-se também uma clara separação entre a cor preta da barriga e peito castanho. A extensão da mancha escura do ventre, pode ser usada como critério para determinação do sexo, uma vez que é apresentado no maior comprimento nos machos que nas fêmeas. É uma ave de mutação recessiva.
 
- Mutação castanha ou Creme.
Bico de Chumbo Castanho

Esta mutação impede o estágio final da oxidação negra tornando a ave castanha. É uma ave de mutação recessiva. Surge no Bico de Chumbo e o parte superior do rabo branca, indicando que surgiu em um exemplar puro sem cruzamento com Bico Prata.











- Mutação Pastel.

Bico Chumbo PASTEL

Surgiu no Bico de Chumbo e foi transferido para o Bico de Prata afectando igualmente os seus pigmentos.

Observando os Bicos de Prata e Bicos de Chumbo, repara-se que a espécie Cantans tem a mesma cor e desenho e que nos de espécies malabarica existem variações.Aves de mutação recessiva ligada ao sexo.









Mutação Ino

Bico de Prata INO

A mutação Ino, que impede qualquer expressão de cor preto e castanho, daí resultando o um pássaro completamente branco com olhos vermelhos. Ave de mutação recessiva ligada ao sexo.













- Mutação Opala.
Bico Chumbo OPALA
Surgido diluindo a cor negra torna-a em cinza e a cor castanha permanece discreta faz com que o negro seja mais abundante no interior da plumagem. Ave de mutação recessiva.












COMPORTAMENTO


Tanto o Bico de Prata como o Bico de Chumbo são aves resistentes, procriando com temperaturas a partir de 15 º C e 11 horas de luz. São aves granívoras alimentando-se de uma boa mistura para exóticos, verduras , osso de choco e grit mineral. Apreciam um banho diário em recipientes pequenos e pouco profundos. Quando bem cuidados reproduzem-se com facilidade, tirando até quatro ninhadas por ano. Constroem seus ninhos dentro de uma caixa cúbica utilizando galhos de arbustose fibras de origem vegetal e animal.
 O macho canta e dança durante a corte, trazendo algum material do ninho no bico. Quando as últimas notas do canto intensificam, a fêmea agacha-se e abana a cauda indicando que está pronta para acasalar Fazem posturas de 4-7 ovos,incubados a partir do 3º ovo, a incubação é feita por ambos, alternadamente ao longo do dia e dormindo os dois no ninho durante a noite.
A partir de 12 º ou 13 º dia de incubação nascem os filhotes, alimentados durante os primeiros dias por uma papa feita a partir de alimentos regurgitados, no bico, desproporcional, cercado por marcações amarelas e balançando a cabeça em um semicírculo. No sexto dia, começam a ser alimentados com sementes pré-digeridas.

Os filhotes saem do ninho ao fim de 30 dias e passam o dia junto, sendo chamado pelos seus pais para dormir dentro do ninho, que depois vão dormir noutro lugar. Depois do desmame, os jovens ainda não têm a cor normal. Após duas semanas são totalmente independente, apesar de serem muito sociais com seus pares.

Artigo AMCA

Fotos FOCDE exóticas (www.focde.com)


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